Máscaras nos oceanos: por que o lixo ainda é um problema?

Autora: Marina Batochio - Projeto Amigos da Jubarte




O ano das máscaras

Chaves, documento, celular... e a máscara. O novo normal exigiu que saíssemos de casa com mais um item sempre em mãos. Todos os produtos surgem de acordo com a demanda, e as máscaras vieram com tudo. De cores, tamanhos, texturas e desenhos diferentes. 3D, de tecido, TNT, descartável, para todos os gostos e necessidades. A questão é que a satisfação está sempre a um produto de distância. A máscara tem que combinar com a roupa do trabalho, que muda todos os dias. Será que precisa mesmo? Existem impactos?

Qual a relação com os mares?


Não é mais novidade que o lixo descartado de maneira incorreta na maioria das vezes vai parar nos oceanos, né? O que aqui produzimos, fica. Através de chuvas, ventos, ou até descarte incorreto, as máscaras encontram os oceanos em algum momento e mais um tipo de poluição é instaurado. Segundo o diretor do Instituto Mar Urbano, o biólogo Ricardo gomes, “mais de 130 bilhões de máscaras são descartadas todos os dias no meio ambiente. Multiplicando por cinco meses [de pandemia], estamos falando de centenas de bilhões de máscaras que, de alguma maneira, vão parar nos oceanos”.

Impactos


Chegando aos mares, as máscaras, como a maioria dos outros produtos descartados incorretamente ou consumidos excessivamente, são facilmente confundidos com alimento ou abrigo pelos animais marinhos. Fotos de tartarugas, golfinhos e pequenos moluscos presos em embalagens plásticas não são mais suficientes para a sensibilização de toda uma população. A educação ambiental e divulgação científica aqui se fazem fundamentais, para que a informação chegue ao maior número de pessoas possível. Com um olhar geral, é importante enxergar que o oceano afeta diariamente vidas. Quanto mais os mares são poluídos, pior a saúde dos animais que ali vivem. Animais que muitas vezes são fonte de renda e alimentação para grande parte da população. Isso num curto prazo. Pensando a longo prazo, o problema é muito maior. O ambiente marinho é um ecossistema enorme interligado a todos os outros. Quando um desses sistemas, conectado a todos os outros, sofre um intenso desequilíbrio, todos são afetados de alguma maneira e os impactos são imensuráveis.


Luz no fim do túnel

Se existe alguma forma de mitigação, ela precisa surgir de quem consome todos esses produtos que geram lixo. A respeito das máscaras, que é o tema de hoje, podemos sempre repensar na quantidade e qualidade das que escolhemos. Com máscaras resistentes, que possam ser lavadas várias vezes, não precisamos de uma gaveta inteira só delas. Sendo assim, não precisaremos também de máscaras descartáveis que têm um curto tempo de utilidade. Comprá-las de produtores locais é uma boa saída, pensando que os tecidos podem ser reciclados e produzidos também localmente.

Como todo lixo, o problema é grande e preocupante, mas temos um papel especial nessa luta. Aqui não há espaço para sentimento de impotência, já que sempre tem um produto que consumimos que pode e precisa ser repensado.


Que tal começar pelas máscaras? Lave-as, reutilize o máximo possível e sempre descarte corretamente.


Vamos fazer a nossa parte!


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Os Projetos Amigos da Jubarte, Jubarte.Lab e Golfinhos do Brasil são de realização do Instituto O Canal e Instituto Últimos Refúgios, em parceria com a Vale e o apoio nessa atividade da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e Lar Mar.