Conheça o Trabalho de um Pesquisador de Cetáceos

Autora: Marina Batochio - Projeto Amigos da Jubarte


Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o trabalho de um pesquisador dessa área vai muito além da avistagem dos grandes mamíferos marinhos. Sabendo disso, o projeto Amigos da Jubarte conta com uma equipe multidisciplinar e parcerias fortes para que todo trabalho seja feito de maneira satisfatória e abrangente.




Então o que um pesquisador de cetáceos realmente faz?

Hoje você vai conhecer melhor o que um profissional dessa área realmente faz e ainda vai acompanhar o que os pesquisadores contam da sua rotina!


Em Campo

O trabalho mais conhecido do pesquisador de baleias é o monitoramento em ponto fixo ou o monitoramento embarcado. Em ambos os casos, o trabalho é extenso e complexo.

O pesquisador sempre tem em mãos uma ficha em que preenche quais são as condições ambientais daquele dia para começar seu trabalho, além de coletar dados sobre embarcações por perto ou qualquer outra possível interferência. Existe também a criação de todos os protocolos de estudo e análises, feitos antes das saídas de campo, assim como a implementação deles e a escrita dos relatórios após o monitoramento e as análises, como conta Amanda Di Giacomo, cetóloga do projeto Amigos da Jubarte.

A bióloga Penha Carreta, membro do projeto desde 2017, relata mais detalhadamente que são coletados dados de avistagens, grupos e comportamentos que são observados (natação, descanso, comportamento ativo, entre outros). O processo também envolve marcar os pontos de avistagem no GPS, tirar fotos para identificar os indivíduos e seus grupos e coletar informações acústicas com o auxílio do hidrofone. Voltando do trabalho de campo, todos os dados são planilhados para análise, momento no qual trabalho de campo e pesquisa científica se complementam. Com esses dados é possível estimar a densidade da população, observar se existe algum grupo residente, se existe alguma área de preferência das baleias e onde estão os melhores pontos de observação tanto para os turistas quanto para os pesquisadores. Além disso, complementa a bióloga, é possível traçar de onde as baleias estão vindo e para onde vão, e com isso pensar em estratégias conservacionistas para proteção da espécie.


Pesquisa científica

A pesquisa pode depender ou não dos dados gerados durante o monitoramento. Revisões da literatura são muito importantes para analisar todo o conhecimento já produzido sobre determinado assunto, assim como as pesquisas de campo são essenciais para gerar novos conhecimentos ou reiterar pesquisas já feitas. O projeto tem parceria com o Jubarte.Lab, braço científico que atua nas pesquisas relacionadas aos grandes e pequenos cetáceos. Jonathas Barreto, biólogo marinho, mestre e doutorando em Oceanografia Ambiental e coordenador técnico dessa vertente, relata que além do trabalho de monitoramento simultâneo à pesquisa no período reprodutivo das Jubartes (junho-novembro), é realizado todo acompanhamento do turismo, desde a sensibilização da população até o estudo do perfil do turista conhecendo quais são as melhores rotas para avistar as baleias. Ainda é feita a pesquisa que busca entender o tráfego das embarcações a fim de traçar estratégias que reduzam o risco de colisão com os animais que ocupam a área, conhecidos também através de pesquisa científica. Jonathas, por fim, conta sobre o trabalho de capacitação que realiza junto aos colaboradores da Vale que estão em contato direto com os navios, com a intenção de orientar a conduta a ser tomada em caso de registro de cetáceos. Tais pesquisas envolvem muito estudo e dedicação dos profissionais que hoje atuam principalmente no Porto de Tubarão em 12 pontos de monitoramento.

A educadora ambiental, bióloga e idealizadora do Projeto Cetáceos, Milene Novais, deu seu depoimento sobre o trabalho do pesquisador de baleias, confira:

"O trabalho de pesquisador de baleias exige muita dedicação e empenho, pois não é só ir à campo, o que exige esforço, mas também muita leitura e pesquisa. Ser pesquisador é dedicar seu tempo no dia-a-dia enfrentando obstáculos, às vezes literal e metaforicamente, pois quem trabalha com cetáceos enfrenta mar mexido e encostas íngremes para o monitoramento. Assim como incansáveis procuras de patrocínio, para poder se dedicar 100% ao trabalho de pesquisa. Ser pesquisador de baleias não é para todos, pois as exigências são diversas e as dificuldades no nosso país são enormes, mas em compensação encontrar respostas ou colaborar para a preservação de uma espécie é extremamente recompensador."


Educação Ambiental

Uma vertente essencial da pesquisa é a sua difusão. Para que sejam atingidos os objetivos da conservação, o conhecimento precisa ser acessível e claro para todo público, a fim de engajar o maior número de pessoas possível. A educação ambiental surgiu nesse sentido de fomentar o desenvolvimento sustentável com a participação da população e hoje o pesquisador de baleias têm papel fundamental nisso. A indiferença em relação a ciência é, na maioria das vezes, resultado da falta de conhecimento ou proximidade com as pesquisas. A difusão científica e a educação ambiental servem como preenchimento dessa lacuna. Nesse sentido, o Projeto Amigos da Jubarte acredita que à medida que a população conheça a baleia-jubarte (nome científico: Megaptera novaeangliae), entenda a importância da espécie e do seu ambiente, mais fácil será protegê-la e garantir sua conservação.

Portanto, mais uma tarefa do pesquisador de baleias é analisar seus dados e trazer os resultados para a comunidade em linguagem clara e objetiva. Isso pode ocorrer através de ações que aproximem as pessoas do universo científico e que comuniquem a importância de seus estudos, como palestras, feiras, viagens, eventos, aulas, minicursos e exposições.



Participe!

Hoje conhecemos um pouco melhor a rotina de um pesquisador de cetáceos e como esse trabalho é importante. Além de tudo que já foi dito, a baleia-jubarte ainda é uma espécie guarda chuva, isto é, ela pode ajudar a proteger de forma direta ou indireta outras espécies que habitam o mesmo ambiente!


Você também pode ajudar a conservar esses encantadores gigantes marinhos, sabia?

Incentive às pesquisas e à educação, fique por dentro das notícias e divulgue informação de qualidade! Pelas redes sociais do projeto você encontra informações e curiosidades sobre as baleias, sobre conservação e ciência. Não fique de fora!


Esperamos você na próxima temporada!


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Para aqueles que tem interesse em ver as baleias em Vitória - Espírito Santo em 2021, é só entrar no site do Projeto Amigos da Jubarte pelo link: www.queroverbaleia.com


Os Projetos Amigos da Jubarte, Jubarte.Lab e Golfinhos do Brasil são de realização do Instituto O Canal e Instituto Últimos Refúgios, em parceria com a Vale e o apoio nessa atividade da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e Lar Mar.