COLISÃO DE EMBARCAÇÕES COM CETÁCEOS

Autora: Natália Vagmaker - Projeto Amigos da Jubarte


Os registros de colisões com embarcações são conhecidos desde o início do século XVII, desde então o número mundial de colisões aparenta ter aumentado significativamente.



Apesar das evidências de colisão de uma série de fontes, como por exemplo, relatórios diretos da embarcação envolvida e exames de baleias mortas encontradas flutuando no mar ou na praia, muitos acidentes são imperceptíveis, pois muitas vezes a embarcação não percebe a colisão ou a carcaça do animal não chega até a praia, e quando chega, pode estar em um estado avançado de decomposição não permitindo saber o motivo da morte. Mesmo não sendo possível obter estimativas precisas do número de cetáceos envolvidos em todos os oceanos, é aceito que os números de colisões estão em constante aumento.




Embora as colisões ocorram com mais frequência com grandes navios, outros tipos de barcos também estão incluídos: os cargueiros, barcos de pesca, navios de cruzeiro, petroleiros, iates e barcos à vela. Geralmente as colisões ocorrem em áreas costeiras nos quais os cetáceos utilizam para se alimentar, reproduzir ou até mesmo como rota de migração, ou seja, local onde há concentração destes animais. As espécies mais afetadas são: baleia-franca (Eubalaena sp.), baleia-fin (Balaenoptera physalus), baleia-jubarte (Megaptera novaeangliae), baleia cinza (Eschrichtius robustus), baleia minke (B.Acutorostrata), baleia azul (B. Musculus), cachalote (Physeter macrocephalus) e golfinhos.


O aumento do tráfego marítimo, tamanho e a velocidade de navios, aumentam o potencial de colisões entre navios e cetáceos. Em relação a velocidade, segundo Laist et al., 2001, a maioria das feridas letais são causadas por velocidades superiores a 14mi/h, e de acordo com Conn e Silber,2013, restringir a velocidade média para 10mi/h parece ter reduzido o risco de colisão em 80-90%, o que nos leva a acreditar que este deve ser o limite fixado. De acordo com Laist, o tamanho da embarcação também influência na maioria dos ferimentos graves ou letais nesses animais. Um estudo realizado em quase toda a extensão do litoral dos estados Bahia e Espírito Santo, reconhecida como uma importante área de concentração de baleias em determinada época do ano, foram observados um total de 482 embarcações em 28 dias, sendo que 65% eram cargueiros, embarcações estas que devido ao seu tamanho médio de 199,9m são consideradas como ameaçadoras. Do total das embarcações, menos de um quarto navegaram a uma velocidade média inferior a 10mi/h, e em relação ao tamanho das embarcações observadas por este estudo, mais de 90% têm mais de 80m de comprimento (Dienstmann, 2015). A partir destas informações podemos observar o quão elevado é o risco de colisão entre navios e cetáceos nesta área.


caso baleia FLuker


Já ouviu falar sobre a baleia-fin chamada Fluker? Este animal perdeu sua caudal, devido a uma provável colisão com uma embarcação ou emaranhamento em uma rede. A baleia Fluker apresentava sinal de magreza por problemas com a locomoção, uma vez que ela usava sua caudal para se impulsionar e alimentar. Assim como Arnaud Gauffier, diretor dos programas da ONG, à Agence France-Presse (AFP), muitas pessoas também se questionam o quanto é chocante o fato de que as atividades humanas foram capazes de colocá-la nesse estado.


medidas Mitigadoras


Nesse contexto, o desafio da conservação é compor medidas que beneficiem os cetáceos sem prejudicar as empresas envolvidas. Segundo o IWC não há uma solução universal, mas estão sendo exploradas soluções para serem implementadas em todo o mundo. Por ora, a maneira mais eficaz de reduzir o risco de colisão é traçar rotas diferentes das atividades desses animais e, onde não for possível, os navios diminuam a velocidade e fiquem atentos. O IWC possui um Plano Estratégico para mitigar os impactos dos navios nas populações de cetáceos.




--

Para aqueles que tem interesse em ver as baleias em Vitória - Espírito Santo em 2021, é só entrar no site do Projeto Amigos da Jubarte pelo link: www.queroverbaleia.com


Os Projetos Amigos da Jubarte, Jubarte.Lab e Golfinhos do Brasil são de realização do Instituto O Canal e Instituto Últimos Refúgios, em parceria com a Vale e o apoio nessa atividade da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e Lar Mar.