Aventura em alto mar: um passeio ao encontro das baleias-jubarte no litoral capixaba

Autor: Ana Clara Mardegan - Instituto Últimos Refúgios


A observação de baleias é uma excelente atividade turística para quem quer se aventurar na capital capixaba. Todos os anos, em meados de maio e junho, as baleias-jubarte chegam ao litoral do Espírito Santo após percorrerem mais de 4 mil quilômetros, pois retornam das águas polares da Antártica e cruzam os oceanos para acasalar e se reproduzir nas zonas tropicais do globo. A localização não poderia ser mais privilegiada, tornando o estado um dos lugares especiais para contemplar as gigantes.



Em julho de 2021, fui convidada pelo Projeto Amigos da Jubarte, uma co-realização do Instituto Últimos Refúgios e Instituto O Canal, para embarcar com a equipe da agência AVES em uma das saídas de observação de baleias. A missão era registrar os bastidores e os melhores momentos do passeio, principalmente quando as jubartes fizessem suas aparições fora da água.


A vaga surgiu de última hora, e eu, há tempos ansiosa pela oportunidade de ver as gigantes, não hesitei em aceitar o convite e começar os preparativos para minha aventura. Afinal, estamos falando de 7-9 horas de navegação em alto mar, sem caminho de volta tão cedo.


A noite anterior foi de muita ansiedade e expectativa. Parecia que mal tinha fechado os olhos quando ouvi o despertador às 5 horas da manhã anunciando o início da jornada. Pulei da cama, arrumei tudo e me apressei para deixar minha cidade, Cariacica, e me dirigir até o ponto de encontro no Píer da Capitania dos Portos, na Enseada do Suá, em Vitória. O grupo começou a se reunir por volta das 6h30 com saída marcada para às 7 horas em ponto.



A agência AVES segue um rígido protocolo de prevenção à Covid-19, com teste de olfato e aferição de temperatura antes do embarque, uso de máscara obrigatório durante todo o passeio e limpeza constante das mãos e superfícies com álcool gel. Após recomendações das simpáticas guias Tatyana e Tamara, e a fala da pesquisadora e observadora de bordo Beatriz Marins, do Projeto Amigos da Jubarte, finalmente estávamos prontos para deixar terra firme.



No primeiro balanço do barco, já pude sentir o gostinho da adrenalina quando experimentamos algo novo pela primeira vez. As primeiras ondas, o vento no rosto e as paisagens de tirar o fôlego até me fizeram esquecer que aquela era uma saída para observar baleias. O passeio de barco já teria valido a pena apenas pela incrível conexão com o oceano e a natureza. É como se sentir à deriva em um universo à parte: infinito, cheio de vida, mistérios e possibilidades.



Navegamos por algumas horas até perdermos a cidade de vista e ficarmos completamente envoltos pelo oceano. O tempo oscilava entre tímidos raios de sol e brisas de vento frio quando nos deparamos com as primeiras nadadeiras - que mais pareciam asas gigantes - pincelando o horizonte. A euforia foi generalizada. Todos sacaram seus smartphones e correram até a borda do barco para registrar a primeira aparição das gigantes. Ainda paralisada com a beleza da cena, mal sabia se chorava de emoção, se apenas observava ou me apressava para registrar a reação das pessoas à minha volta.



O primeiro contato é realmente muito impactante. É indescritível a sensação de estar a apenas alguns metros de um dos maiores animais do mundo, o que me proporcionou grandes reflexões sobre a vida e sobre o lugar que ocupamos no universo. As gigantes deram alguns “tchauzinhos”, saltaram ao longe e seguiram seu caminho mar adentro.



A chuva aproximava-se timidamente do barco, enquanto retomávamos nossa aventura em busca de outras jubartes. Os chuviscos logo evoluíram para uma chuva de vento um pouco mais forte, fazendo com que os passageiros se apressassem para buscar abrigo nas partes cobertas da embarcação. Não tinha muito o que fazer. O jeito era se proteger com o que tínhamos à mão. No meu caso, uma toalha perdida que encontrei dando sopa em um dos bancos. O dono era um jovem pai de família da Catalunha, região do nordeste da Espanha. Ele, muito gentilmente, permitiu que eu a utilizasse para me proteger do frio e da chuva. Definitivamente percebi tarde demais que havia subestimado as forças do oceano ao levar apenas um casaco leve, apesar das orientações.


Não é à toa que o “Guia do Mochileiro das Galáxias” já dizia que uma toalha pode salvar a sua vida.


O espanhol acompanhava o passeio ao lado da esposa e do casal de filhos, traduzindo as informações da guia para os pequenos, que não falavam português. Durante nossa breve conversa, expressou seu encanto com o passeio e as paisagens que havia observado até ali, diferente de qualquer outro lugar que já visitara ao longo da vida.


O pai e seus filhos logo no início do passeio


A chuvinha parecia não ter hora para acabar. Meus óculos ficaram completamente embaçados e chapiscados de água. Quanto mais tentava secá-los, mais piorava a situação.

Quando todos já estavam ensopados e preocupados com o retorno, finalmente aconteceu. Uma curiosa baleia-jubarte veio ao nosso encontro e proporcionou o melhor espetáculo que poderíamos imaginar. O momento pareceu cena de filme: a chuva cessando, os primeiros raios de sol despontando no céu e a baleia brincando com os tripulantes. Virava de barriga pra cima, batia a nadadeira caudal, colocava a cabeça para fora da água para espiar o que estava acontecendo em cima do barco e nadava de um lado a outro, como quem brinca de pique-esconde.


Nossa querida baleia-jubarte, a grande estrela do dia.


Aproveitei para fazer diversos registros das pessoas interagindo com o animal - de longe e com segurança, é claro - enquanto eu mesma mal podia acreditar no fenômeno que acontecia apenas a alguns metros de onde estava.




A interação durou cerca de 30 minutos, o tempo máximo que a embarcação pode ficar ao lado da mesma jubarte para garantir a segurança do animal. Nos despedimos da nossa nova amiga ainda em êxtase com o espetáculo. A câmera repleta de fotografias e o coração cheio de histórias pra contar.


O retorno foi só alegria. Os passageiros conversavam sobre a experiência e trocavam histórias de vida como se já se conhecessem de longa data, recapitulando os acontecimentos do dia que perdurará para sempre em nossas lembranças. Mal posso esperar pela minha próxima aventura em alto mar. Parafraseando o grande Douglas Adams: “Até mais, e Obrigada pelos Peixes, digo, Jubartes!”.



Um agradecimento ao Projeto Amigos da Jubarte, ao Instituto Últimos Refúgios, em especial ao fotógrafo de natureza Leonardo Merçon, e toda a equipe da Agência AVES.


Esse foi o relato da experiência da Ana Clara Mardegan, mande sua experiência para gente também!

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Para aqueles que tem interesse em ver as baleias em Vitória - Espírito Santo em 2021, é só entrar no site do Projeto Amigos da Jubarte pelo link: www.queroverbaleia.com


Os Projetos Amigos da Jubarte, Jubarte.Lab e Golfinhos do Brasil são de realização do Instituto O Canal e Instituto Últimos Refúgios, em parceria com a Vale e o apoio nessa atividade da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e Lar Mar.